Uso de probióticos em bebês. Existem benefícios?



A microbiota infantil é formada desde os primeiros meses de gestação, pela troca de informações via eixo mãe – bebê, via placentária e por deglutição do líquido amniótico. O tipo de parto - normal ou cesárea - a ser realizado também influencia para a formação da microbiota, este é o momento onde ocorre uma das maiores trocas entre a mãe e o bebê. Após o nascimento a amamentação - natural ou artificial - será responsável por continuar esse processo.


De acordo com uma pesquisa publicada no Pediatric Research, a suplementação de Bifidobacterium longum subsp. infantis (B. infantis) associada a amamentação exclusiva no pós-natal mostrou benefícios para a composição da microbiota intestinal, apresentando resultados significativos no equilíbrio da microbiota por um período de um ano após o nascimento.


O B. infantis é uma bifidobactéria que auxilia na digestão de oligossacarídeos presentes no leite materno. Apesar de apresentar resultados promissores, o B. infantis que comumente é encontrado na microbiota de bebês amamentados vem sofrendo uma queda no intestino de bebês em países industrializados, isso devido ao alto uso de antibióticos no início da vida ou pelas mães durante o período gestacional, associado a queda no número de parto normal e aumento do uso de fórmulas artificiais em substituição ao leite materno.


Atualmente o uso de probióticos em bebês tem sido utilizado com o intuito de colonizar a microbiota intestinal, porém o resultado obtido não foi como esperado, as pesquisas mostram que a colonização é eficaz apenas por um curto período. Os probióticos são utilizados em casos onde é necessário fazer uma recolonização no intestino do bebê, auxiliando assim a amenizar sintomas gastrointestinais como cólica e a diarreia.


O Lactobacillus rhamnosus GG é um dos suplementos probióticos mais comumente usados e estudados para crianças, especialmente em quadros como diarreia infecciosa e diarreia associada a antibióticos. Já o Lactobacillus reuteri DSM 17098 tem sido utilizado com resultados promissores na redução de cólicas do lactente. Inclusive em estudo para avaliar a utilização desde a primeira semana de vida em bebês como forma de prevenção de cólicas, o L. reuteri mostrou-se eficaz.


Em bebês prematuros, a enterocolite necrosante é uma condição frequente relacionada ao trato gastrointestinal. Alguns ensaios clínicos tem demonstrado que os probióticos podem reduzir potencialmente a incidência de enterocolite necrosante e mortalidade associada a ela, e que a suplementação não aumenta o risco e não apresenta qualquer efeito adverso na alimentação e no crescimento de bebês em uso de probióticos.


Alguns efeitos colaterais tem sido descritos quando associado o uso de probióticos em bebês, especialmente prematuros, como infecções sistêmicas, atividades metabólicas deletérias, estimulação imunológica excessiva, transferência de genes de resistência a antibióticos e formação excessiva de gases intestinais. Porém, o monitoramento nos estudos não está bem descrito, por isso, acredita-se que esses efeitos podem ter relação com a qualidade da suplementação de alguns probióticos. Por isso, especialmente para esse público, ter um rigor no critério de seleção é extremamente importante.


Nesse sentido, os pós-bióticos são uma nova categoria de compostos capazes de afetar a microbiota. De acordo com as diferentes definições, os pós-bióticos incluem bactérias inviáveis ​​e substâncias derivadas do metabolismo bacteriano. Os pós-bióticos são particularmente promissores em ambientes pediátricos, pois oferecem algumas vantagens sobre os probióticos, incluindo a ausência do risco de translocação intestinal ou agravamento da inflamação local. Por essas razões, seu uso em populações mais vulneráveis, como recém-nascidos, e ainda mais prematuros, parece ser a melhor solução para melhorar a saúde da microbiota nessa população.


Referências:

  • Hjern A, Lindblom K, Reuter A, Silfverdal SA. A systematic review of prevention and treatment of infantile colic. Acta Paediatr. 2020 Sep;109(9):1733-1744. doi: 10.1111/apa.15247. Epub 2020 Jun 2. PMID: 32150292.

  • Yang Y, Guo Y, Kan Q, Zhou XG, Zhou XY, Li Y. A meta-analysis of probiotics for preventing necrotizing enterocolitis in preterm neonates. Braz J Med Biol Res. 2014 Sep;47(9):804-10. doi: 10.1590/1414-431x20143857. Epub 2014 Aug 1. PMID: 25098619; PMCID: PMC4143209.

  • Morniroli D, Vizzari G, Consales A, Mosca F, Giannì ML. Postbiotic Supplementation for Children and Newborn's Health. Nutrients. 2021 Feb 27;13(3):781. doi: 10.3390/nu13030781. PMID: 33673553; PMCID: PMC7997220

  • Cabana MD, McKean M, Beck AL, Flaherman V. Pilot Analysis of Early Lactobacillus rhamnosus GG for Infant Colic Prevention. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2019 Jan;68(1):17-19. doi: 10.1097/MPG.0000000000002113. PMID: 30052571; PMCID: PMC6673644.