Síndrome do intestino irritável: qual blend de enzimas digestivas mais indicado?


Se você não conhece alguém próximo que teve esse diagnóstico, já ouviu falar em alguém distante, ou até mesmo viu em alguma rede social alguém que sofre com a SII. Esse é um diagnóstico de exclusão, ou seja: quando alguém apresenta dor e desconforto abdominal, com variação na função intestinal (constipação e/ou diarreia) e não existe nenhuma outra condição que explique o quadro, geralmente é feito o diagnóstico de SII. Existem alguns “tipos” dessa síndrome: aquele caracterizado pela presença de diarréias nas crises; um que é marcado pela constipação; e o terceiro que é chamado de “misto”, em que se alternam esses dois extremos de função intestinal.


As mulheres são mais atingidas pela SII e geralmente sofrem mais com dores abdominais e constipação do que os homens diagnosticados com a síndrome, que usualmente apresentam o tipo diarreico. Pessoas que apresentam, por algum motivo, as vias de percepção de dor alteradas, quadros de disbiose, aumento da permeabilidade intestinal, maior ativação do sistema imune da mucosa do intestino, hipersensibilidade visceral e alteração na comunicação do cérebro com a região intestinal estão em maior risco de desenvolver a SII.


Uma vez que essa condição esteja presente, existe um gatilho muito importante para os sintomas: a comida. Principalmente os carboidratos que possuem uma constituição de cadeia curta e são altamente fermentáveis, como a lactose, por exemplo, costumam dar início para uma crise. Nesse cenário, qualquer substância que fique no intestino sem passar por correta digestão e suscetível à fermentação pode causar os sintomas. É por isso que trabalhar a digestão nesses pacientes é um ponto chave para o manejo da condição.


As enzimas digestivas são um tipo de terapia que podemos utilizar para melhorar o processo digestivo em indivíduos com SII, pois dão um suporte para que a digestão aconteça de forma mais eficiente, especialmente daqueles componentes que são os principais gatilhos das crises. É possível fazer a manipulação das enzimas específicas para cada caso individual, mas também existem alguns blends já prontos que também podem ser bastante interessantes. Porém, é preciso saber escolhê-los.


Alguns blends de enzimas digestivas, como aqueles que contém ox bile, podem acabar não sendo muito bem tolerados por pacientes com SII, e o ideal é procurar opções que contenham enzimas:

  • capazes de degradar carboidratos como o amido (alfa amilase e amiloglucosidase), fibras (celulase e hemicelulase) e, principalmente, a lactose (lactase);

  • que auxiliem na digestão de proteínas (como proteases ácido estável, bromelina e papaína)

  • e também pode ser interessante a presença de lipases para garantir uma digestão de gorduras mais eficiente.

Sempre é bom lembrar que essas enzimas podem ser uma parte do tratamento, mas é preciso identificar os gatilhos individuais, o tipo de SII e fazer outras alterações na rotina alimentar e no estilo de vida de forma geral para que o manejo seja o mais adequado possível. Por isso, é importante ter o acompanhamento de um nutricionista para auxiliar nesse processo. De qualquer forma, espero que tenham gostado das dicas e, se você conhece alguém com SII, compartilhe esse conteúdo para ajudá-la no manejo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Chey, W. D., Kurlander, J., & Eswaran, S. (2015). Irritable Bowel Syndrome. JAMA, 313(9), 949. doi:10.1001/jama.2015.0954