Rhodiola rosea no manejo da compulsão alimentar


Rhodiola rosea (R. rosea) é uma flor considerada planta medicinal, relativamente rara e de alto valor, encontrada em regiões de alta latitude e altitude. Pertencente à família Crassulaceae, essa planta é usada tradicionalmente para aumentar a resistência e força física, longevidade, fertilidade e no tratamento de câncer e tuberculose.


O uso da R. rosea vêm crescendo devido à potencial capacidade terapêutica como adaptógeno, ou seja, produtos naturais que não são tóxicos em doses usuais e que produzem uma resposta não específica, com capacidade fisiológica normalizadora, mas também como ergogênica, usada para melhorar o desempenho físico e mental.


Um pouco sobre compulsão alimentar


A compulsão alimentar é caracterizada pelo consumo compulsivo de uma exacerbada quantidade de alimentos altamente palatáveis, em um curto período de tempo, independente do estado de fome. Esses episódios vêm acompanhados de uma sensação de perda de controle, angústia, culpa e vergonha.


Os principais alimentos associados aos episódios de compulsão são os ricos em açúcar simples, como doces em geral, alimentos refinados, industrializados e fast food, todos esses remetem à sensação de prazer momentânea.


Algumas situações funcionam como gatilhos para o desencadeamento desses episódios, como dietas restritivas, estresse e estados afetivos. O tratamento dessa condição clínica não deve depender somente de fármacos, que normalmente causam dependência pelo uso prolongado. O envolvimento de uma equipe multiprofissional e de estratégias terapêuticas alternativas são fundamentais para um bom desfecho clínico, como é o caso do uso de Rhodiola rosea.


Como a Rhodiola rosea atua na compulsão alimentar?


O estresse, portanto, é capaz de influenciar tanto no aumento da ingestão de alimentos quanto na inibição, dependendo da intensidade. Uma vez que o estresse e o humor são determinantes da compulsão alimentar e que a R. rosea influência nesses dois estados, essa planta pode ser uma alternativa para o tratamento desse transtorno alimentar.


O mecanismo de ação da Rhodiola rosea na compulsão alimentar envolve a sua interação no sistema nervoso. O comportamento alimentar do indivíduo tem relação direta com seu estado de humor e estresse ambiental. São nesses pontos que a R. roseae irá agir. Essa planta é capaz de melhorar o humor, diminuir a ansiedade, auxiliar no tratamento da depressão.


A R.rosea estimula os receptores de noradrenalina, serotonina, dopamina e acetilcolina, em regiões do cérebro responsáveis por afetar o humor. Além disso, essa flor aumenta os níveis endógenos de beta-endorfina e previne a elevação induzida pelo estresse. A ação dessa planta na fadiga tanto física quanto mental também se associa a diminuição do desenvolvimento de transtornos alimentares.


Outros mecanismos são:

  • Modulação da atividade simpático-adrenal

  • Modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, reduzindo os níveis séricos de corticosterona.

  • Influência sobre os mediadores da resposta ao estresse como cortisol, óxido nítrico e fator de transcrição Forkhead Box O DAF-16.


Além disso tudo, as raízes de R.rosea possuem uma variedade de compostos ativos, como flavonóides, taninos e compostos fenólicos, o que confere potencial antioxidante e anti-inflamatório.


Em particular, extratos dessa planta são padronizados para rosavin e salidroside. Esse último composto é bem absorvido após a administração oral e estudos recentes na literatura demonstram que o salidroside presente na R.rosea possui significativo efeito sobre transtornos alimentares.


Referências

Cifani, Carlo, et al. “Effect of Salidroside, Active Principle of Rhodiola Rosea Extract, on Binge Eating”. Physiology & Behavior, vol. 101, no 5, dezembro de 2010, p. 555–62. ScienceDirect, https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2010.09.006.


Mao, Jun J., et al. “Rhodiola rosea versus sertraline for major depressive disorder: A randomized placebo-controlled trial”. Phytomedicine : international journal of phytotherapy and phytopharmacology, vol. 22, no 3, março de 2015, p. 394–99. PubMed Central, https://doi.org/10.1016/j.phymed.2015.01.010.


Ishaque, Sana, et al. “Rhodiola rosea for physical and mental fatigue: a systematic review”. BMC Complementary and Alternative Medicine, vol. 12, maio de 2012, p. 70. PubMed Central, https://doi.org/10.1186/1472-6882-12-70.