Qual a melhor maneira de suplementar a coenzima Q10?


Você já ouviu falar na Coenzima Q10 (CoQ10)? Trata-se de um composto tipo vitamina, lipossolúvel, que pode ser produzido pelo nosso corpo a partir de um aminoácido, a tirosina. Toda vez que falamos de alguma substância que nosso organismo é capaz de sintetizar, temos que ter em mente que estamos tratando de algo que apresenta alguma importância significativa na homeostase corporal. E esse é o caso da CoQ10: trata-se de um antioxidante lipofílico, capaz de diretamente neutralizar radicais livres ou, ainda, restaurar outras substâncias antioxidantes que foram oxidadas para que possam voltar a atuar na diminuição do estresse oxidativo. Além disso, devido à sua solubilidade em lipídios, é capaz de proteger as membranas celulares contra danos e também proteger a mitocôndria e proteínas do DNA contra o estresse oxidativo.


As mitocôndrias são partes das células onde acontece a produção de energia. Devido à intensa dinâmica que acontece ali, muitos radicais livres acabam sendo formados, e se não forem adequadamente neutralizados, prejudicam a função mitocondrial, reduzindo a quantidade de energia para o funcionamento das células em todo o corpo. Se as células não têm energia, não conseguem exercer suas funções, e aí, além de cansaço mental e fadiga, também aumenta o risco para o surgimento de condições patológicas.


As indicações terapêuticas nas quais a suplementação de CoQ10 pode exercer benefícios são aquelas que envolvem baixos níveis dessa substância e alto estresse oxidativo, como uma série de condições cardiovasculares, neurodegenerativas e disfunções mitocondriais. Em alguns outros casos como melhora da fertilidade, aumento da performance esportiva, prevenção do câncer e controle do diabetes as evidências ainda são preliminares, mas promissoras.


De qualquer forma, nos casos em que há respaldo para a sua utilização, é preciso que a suplementação seja feita de maneira adequada para que os resultados esperados sejam obtidos. Existem algumas particularidades nessa molécula que demandam atenção especial na hora de designar doses, fórmulas e melhor momento de consumo.


Em relação às doses, é preciso ter muito bem estabelecida a intenção de seu uso. Em indivíduos saudáveis, para potencializar a ação antioxidante, existem protocolos com pequenas doses, de 30 - 100 mg, até porque alguns alimentos ricos em gordura contém CoQ10 e podem ser incluídos como parte da rotina alimentar (carnes, peixes e castanhas, por exemplo). Já para manejo de condições patológicas, as doses seguras utilizadas chegam a 1.200 mg, e nesses casos, é interessante dividir a ingestão em mais de um momento, porque essa substância apresenta um limite, uma saturação para a sua absorção.


Podem ser utilizadas as formas reduzidas (ubiquinol) mas também oxidadas (ubiquinona) , porque o organismo possui enzimas capazes de reduzir essa substância para a forma que apresenta seus efeitos positivos. No mais, devido à sua baixa biodisponibilidade, fórmulas solubilizadas são melhores para contornar esse obstáculo, devido à maior absorção, e é importante usar veículos lipídicos e não adicionar outros antioxidantes para melhorar ainda mais a entrega para os tecidos. Em relação ao momento de uso, o consumo junto com refeições que contenham boas fontes de gordura é potencialmente mais biodisponível.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Arenas‐Jal, M., Suñé‐Negre, J. M., & García‐Montoya, E. (2020). Coenzyme Q10 supplementation: Efficacy, safety, and formulation challenges. Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety, 19(2), 574–594. doi:10.1111/1541-4337.12539


López-Lluch, G., del Pozo-Cruz, J., Sánchez-Cuesta, A., Cortés-Rodríguez, A. B., & Navas, P. (2018). Bioavailability of coenzyme Q 10 supplements depends on carrier lipids and solubilization. Nutrition. doi:10.1016/j.nut.2018.05.020