Novembro azul: eixo microbiota- próstata.



Provavelmente você já deve ter escutado falar que a relação entre o hospedeiro e a microbiota é bidirecional. A microbiota possui diversos microrganismos que desempenham um papel fundamental na saúde do hospedeiro e no metabolismo de diversas vias, assim como a composição desse microbioma depende do hospedeiro, podendo ser alterada com o passar dos anos, com a dieta e com estilo de vida.


A interação entre o microbioma e o desenvolvimento e progressão do câncer vêm sendo amplamente estudados. A microbiota possui a capacidade de promover e inibir o desenvolvimento do tumor, assim como agir na resposta às terapias. Esse mecanismo envolve a modulação imunológica, as alterações metabólicas e o dano epitelial.


Um pouco sobre o câncer de próstata


O câncer de próstata é a segunda maior causa de morte e o tipo de câncer com maior incidência na população masculina. Sua patogênese está fortemente ligada à dependência dos hormônios androgênicos, tornando a terapia baseada em andrógeno um tratamento típico. Contudo, outros fatores de risco podem estar associados ao câncer de próstata, sendo eles:

  • Infecções virais e bacterianas

  • Estímulos inflamatórios

  • Fatores ambientais (dieta e estilo de vida)

Interação da microbiota intestinal com o câncer de próstata


Como citado acima, os hormônios androgênicos estão ligados com o desenvolvimento do câncer de próstata. Quando pensamos em como a microbiota pode afetar a carcinogênese em um órgão distante do trato gastrointestinal devemos considerar a capacidade de algumas bactérias de metabolizar e catalisar o estrogênio (hormônio elevado em pacientes com câncer de próstata) e precursores de androgênios, afetando assim seus níveis séricos. Como exemplo temos as infecções por E. coli e outras espécies de Enterobacteriaceae, que podem estar associadas a alterações hormonais.


Com relação a inflamação, esse processo possui mecanismos que podem causar disbiose e aumentar o risco de câncer de próstata. Por outro lado, a microbiota intestinal é capaz de neutralizar o fator de necrose tumoral-α, evidenciando a relação do microbioma com a formação e a progressão do tumor.


A inflamação também pode estar relacionada com dano oxidativo. Durante o período de inflamação o sistema imunológico libera algumas espécies reativas de oxigênio (EROs). Essas EROs danificam diretamente a célula e o DNA, aumentando o risco de mutações e se tornando um precursor da neoplasia prostática.


Por sua vez, diversas bactérias presentes no intestino possuem propriedades antioxidante, reduzindo o estresse oxidativo, ao controlar enzimas antioxidantes e os radicais livres e anti inflamatória, diminuindo a permeabilidade intestinal e a secreção de citocinas pró-inflamatórias. Esses mecanismos podem ser eficientes na redução da incidência de câncer de próstata.


Conheça 4 bactérias que podem ser benéficas para a prevenção do CA de próstata:

  • F. prausnitzii: ao metabolizar acetato em butirato, essa bactéria possui propriedade anti-inflamatória e simbiótica.

  • Lactobacillus rhamnosus GG: promove a simbiose do microbioma e possui efeito anti-inflamatório que resulta na regressão do tumor.

  • Akkermansia muciniphila e Ruminococcaceae spp.: aumenta a resposta à imunoterapia anti-PD-1 e assim estimula a resposta imunológica contra as células cancerígenas.


Referências: MASSARI, Francesco et al. The Human Microbiota and Prostate Cancer: friend or foe?. Cancers, [S.L.], v. 11, n. 4, p. 459, 31 mar. 2019. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/cancers11040459.

SHA, Sybil et al. The human gastrointestinal microbiota and prostate cancer development and treatment. Investigative And Clinical Urology, [S.L.], v. 61, n. 1, p. 43, 2020. The Korean Urological Association. http://dx.doi.org/10.4111/icu.2020.61.s1.s43.