Leite materno: impacto na saúde do bebê.



O leite materno oferece à criança todos os elementos necessários durante os seis primeiros meses de vida, sendo a água o componente presente em maior quantidade (87,0%). As proteínas suspensas são as responsáveis pelo crescimento celular da criança. As proteínas do soro as protegem dos agentes infecciosos. Os carboidratos atuam como fonte de energia. Já os lipossolúveis e os lipídeos desempenham variadas funções e os elementos minerais são indispensáveis na nutrição do lactente.

O leite materno é considerado o alimento perfeito para os bebês, com efeitos biológicos incomparáveis ​​impulsionados pela ação combinada de seus componentes nutricionais e bioativos. Os efeitos positivos da amamentação do ponto de vista nutricional, fisiológico e de desenvolvimento infantil são amplamente conhecidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recomendam o início da amamentação na primeira hora do nascimento e orientam sobre a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida, sem qualquer outro alimento ou líquido, incluindo água. Embora a introdução de alimentos complementares seja segura a partir dos seis meses, a OMS e o UNICEF recomendam prosseguir com a amamentação por até dois anos.

O leite humano possui uma infinidade de benefícios à saúde, tanto a curto quanto a longo prazo, ou seja, podemos dizer que o leite materno pode impactar a saúde do indivíduo até a idade adulta. A relação entre a amamentação e a saúde do bebê é baseada em seus componentes nutricionais e não nutricionais que têm diversos papéis. O leite humano apresenta uma concentração adequada de nutrientes, incluindo carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e também água, que juntos garantem uma composição dinâmica, bem desenvolvida para atender às necessidades de crescimento infantil. Além dos nutrientes, o leite humano contém muitos constituintes bioativos, como imunoglobulinas, fatores de crescimento, microRNAs e oligossacarídeos do leite humano. Estes formam um sistema complexo que liga o estilo de vida da mãe, como dieta e microbiota intestinal, com desfechos no crescimento infantil, microbiota intestinal, imunidade e outras características de desenvolvimento. A amamentação protege substancialmente contra a morbidade e mortalidade por diarreia, com uma redução de 50% na morbidade e 80-90% na mortalidade e internações hospitalares, em comparação com bebês não amamentados ou amamentados por pouco tempo.

Além de trazer benefícios para o bebê, o aleitamento materno traz vantagens para mãe, pois reduz os riscos de câncer de mama e do endométrio na menopausa. Mulheres que amamentam apresentam menos osteoporose e menos fratura, retorno ao peso pré-gestacional mais precocemente e menos sangramento uterino pós-parto, consequentemente menos anemia, devido a involução uterina mais rápido provocada pela liberação de ocitocina que é provocada pela estimulação da precoce do bebê.

A amamentação proporciona à criança uma respiração correta, mantendo uma boa relação entre as estruturas duras e moles do aparelho estomatognático e proporciona uma adequada postura de língua e vedamento de lábios. Além disso, associada ao mecanismo de sucção, desenvolve os órgãos fonoarticulatórios e a articulação dos sons das palavras, reduzindo a presença de maus hábitos orais e também de patologias fonoaudiológicas.

O ato de amamentar propicia o contato físico entre mãe e bebê, estimulando a pele e os sentidos. Se a amamentação é feita com amor e carinho, sem pressa, o bebê não só sente o conforto de ver suas necessidades satisfeitas, mas também sente o prazer de ser segurado pelos braços de sua mãe, de ouvir sua voz, sentir seu cheiro, perceber seus embalos e carícias.

Referências:

  • Boudry G, Charton E, Le Huerou-Luron I, et al. The Relationship Between Breast Milk Components and the Infant Gut Microbiota. Front Nutr. 2021;8:629740. Published 2021 Mar 22. doi:10.3389/fnut.2021.629740

  • MENEZES, Carla Barbosa; Benefícios do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, UNILAB, 2018.

  • Moubareck CA. Human Milk Microbiota and Oligosaccharides: A Glimpse into Benefits, Diversity, and Correlations. Nutrients. 2021;13(4):1123. Published 2021 Mar 29. doi:10.3390/nu13041123