Enzimas digestivas: quais são e para quem são indicadas?


De nada adianta ter uma alimentação composta prioritariamente por alimentos saudáveis se a sua digestão não está boa. Esse processo é fundamental para que as células do intestino consigam absorver os nutrientes e entregar para as todas os outros tipos celulares que compõem o corpo, além de, claro, fazer uso de uma parte deles para o seu próprio metabolismo. Não podemos esquecer que o nosso organismo possui mais células de bactérias do que células humanas, e esses microrganismos que nos habitam também tem uma relação muito próxima com a nossa digestão.


As bactérias intestinais participam da biotransformação do que chega a partir da alimentação, e nesse processo produzem metabólitos importantes na modulação do sistema imune e do metabolismo como um todo. Ao mesmo tempo que tem uma função na digestão, esses microrganismos também tem a sua quantidade e função moduladas pelos componentes dietéticos que chegam até o intestino, depois de já terem passado por uma boa parte do trato digestivo.


No entanto, algumas condições patológicas, herdadas ou adquiridas ao longo da vida, podem diminuir a eficiência da digestão. A intolerância a lactose é um exemplo: nesses casos, existe uma deficiência na enzima “lactase” responsável por fazer a quebra do carboidrato “lactose” em pedaços menores, que consigam ser propriamente assimilados. Doenças Inflamatórias Intestinais, ao causar danos na mucosa do intestino, também prejudicam a capacidade digestiva. A remoção - ou alguma patologia - na vesícula biliar pode reduzir a quantidade de bile, fluido indispensável para a adequada digestão das gorduras da dieta.


Mas calma, que existe solução! Estou falando das enzimas digestivas, um tipo de suplementação que objetiva, justamente, auxiliar a eficiência do processo digestivo, evitando todos os sintomas que resultam de uma má digestão: náusea, inchaço, gases, má absorção de nutrientes, disbiose, além de ser um componente importante no manejo de doenças intestinais. Porém, é preciso atenção! Existem diferentes tipos de enzimas digestivas, e é preciso saber qual tipo é mais recomendado para o seu caso.


A Ox Bile é recomendada para melhorar a digestão de gorduras quando há alguma redução na quantidade de sais biliares. Essa condição pode acontecer no caso de retirada da vesícula, presença de algum bloqueio no fluxo biliar ou na insuficiência pancreática. As lipases também podem ser usadas na melhora da digestão lipídica e tendem a ser melhores toleradas. No caso de necessidade de auxílio para digerir proteínas, vale investir em proteases, bromelina e papaína (essas duas isoladas de frutas: abacaxi e mamão, respectivamente). Para melhorar a digestão de carboidratos, a alfa-amilase e a amiloglucosidase são recomendadas para potencializar a quebra de amido, enquanto a celulase e hemicelulase atuam sobre as fibras.


Geralmente, a recomendação de uso é no horário próximo às refeições principais, já que costumam ser as que demandam maior trabalho do processo digestivo.


Essas enzimas podem ser encontradas em blends prontos ou então é possível mandar manipulá-las de acordo com a necessidade individual. Quando há algum tipo de deficiência na produção do HCl, um ácido secretado no estômago necessário para ativar as enzimas digestivas, pode ser interessante incluir na formulação a betaína HCl. De qualquer forma, no caso das misturas prontas, é importante se atentar para a tolerância e a condição que está sendo tratada, para garantir que o suplemento vai ser benéfico, e não causar mais problemas.


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