Entendendo o “intestino permeável” em atletas de endurance


Cortisol

O atleta que pratica atividade física de longa duração, pode apresentar desequilíbrios no intestino. Atividades que demandam acima de 60% da capacidade aeróbica, promovem uma maior liberação de cortisol.


O cortisol é um hormônio que é capaz de estimular a síntese de glicose no fígado, que pode estar associada com a depleção da glutamina. Diante disso, é possível que haja um comprometimento da barreira intestinal, uma vez que este aminoácido está associado com a produção de proteínas que compõem as “tight junctions”. Consoante a isto, a elevação do cortisol promove o aumento de citocinas inflamatórias, que podem atacar a barreira intestinal, podendo ocasionar o aumento da permeabilidade intestinal.


Inflamação

O exercício de endurance pode afetar as células epiteliais intestinais, proteínas responsáveis pela junção das células intestinais, células musculares lisa e a composição e função da microbiota intestinal, comprometendo assim a homeostase gastrointestinal. Esse fenômeno tem sido observado em atletas de atividade de longa duração, em que o perfil de proteínas e citocinas pró-inflamatórias, como proteína C-reativa, interleucina-6 (IL-6), IL-1β, TNF-α e interferon-gama (IFN-γ) se apresenta aumentado. Aparentemente, o aumento da permeabilidade intestinal causado pelo exercício extenuante parece coincidir com as alterações da microbiota intestinal.


Atividades reativas de oxigênio

As atividades de endurance produzem constantemente espécies reativas de oxigênio, sendo assim a ação antioxidante endógena dependente da glutationa faz-se fundamental. Para a síntese de glutationa é necessário o glutamato, que também é um precursor da síntese de glutamina. Visto que o combate dos radicais livres é mais importante para esta circunstância, o glutamato será utilizado para este fim. Portanto, novamente há um possível comprometimento da permeabilidade intestinal, devido à relação da glutamina com as proteínas responsáveis por unir as células do intestino.


A isquemia intestinal fisiológica durante a atividade, devido a maior necessidade do fluxo sanguíneo nos músculos pode aumentar a produção de radicais livres e aumento da permeabilidade intestinal.


Depleção muscular

A depleção muscular do atleta de endurance, mesmo que haja uma suplementação e alimentação adequada, acontece frequentemente. Este processo desencadeia em uma maior produção de amônia, uma vez que este é um dos metabólitos da quebra das proteínas. A amônia é transportada pela alanina e a glutamina, e consequentemente pode influenciar na disponibilidade das mesmas.


A isquemia intestinal fisiológica durante a atividade, devido a maior necessidade do fluxo sanguíneo nos músculos pode aumentar a produção de radicais livres e aumento da permeabilidade intestinal.


Suplementação de glutamina

A suplementação de glutamina via oral é capaz de favorecer o crescimento da mucosa gastrointestinal e previne a atrofia da mucosa e das vilosidades. Além disso, é capaz de promover melhora significativa da barreira intestinal. A suplementação deste aminoácido e a saúde intestinal já é bastante consolidada na literatura. Uma vez que a glutamina de atletas de endurance pode estar reduzida, o uso para fins da diminuição da permeabilidade intestinal faz-se relevante.


Referências bibliográficas

Ribeiro FM, Petriz B, Marques G, Kamilla LH, Franco OL. Is There an Exercise-Intensity Threshold Capable of Avoiding the Leaky Gut?. Front Nutr. 2021;8:627289. Published 2021 Mar 8. doi:10.3389/fnut.2021.627289

Rohr MW, Narasimhulu CA, Rudeski-Rohr TA, Parthasarathy S. Negative Effects of a High-Fat Diet on Intestinal Permeability: A Review. Adv Nutr. 2020;11(1):77-91. doi:10.1093/advances/nmz061