Eixo cérebro-intestino: quais cepas podem ser prescritas para quadros de depressão?



A depressão é uma doença neuropsiquiátrica de alta recorrência, respondendo por cerca de 10,3% da carga total de doenças, tornando-se de extrema relevância no contexto de saúde pública. Isso nos leva a perceber a importância de desenvolver potenciais alvos terapêuticos para reduzir a carga dessa condição clínica.


Existe uma comunicação entre o trato gastrointestinal, os microorganismos que habitam nele e os sistemas nervosos periférico e central. Essa conexão é chamada eixo microbiota-intestino-cérebro e dessa forma informações são constantemente transmitidas e interpretadas da periferia para o cérebro e vice e versa.


Em consequência dessa conexão, diversos prebióticos e probióticos são usados como parte do cuidado terapêutico em casos de depressão. Esses são livres de efeitos colaterais e de propriedades viciantes normalmente encontradas nos tratamentos usuais.


Alguns probióticos são considerados psicobióticos por influenciar no humor, na ansiedade e na função cognitiva. Estes são administrados em “unidades formadoras de colônias" e contribuem para um ambiente intestinal equilibrado, contribuindo para a diversidade desse ecossistema.

Os mecanismos de ação desses psicobióticos são:

  • Alteração do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

  • Síntese de neurotransmissores (serotonina, dopamina, noradrenalina, melatonina, histamina e acetilcolina).

  • Modulação da ocitocina.

  • Melhora da função da barreira intestinal.

  • Modelagem das redes neurais.

  • Supressão de patógenos.


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Vamos conhecer algumas cepas encontradas em estudos recentes:

  • Bifidobacterium infantis: Normaliza a resposta imunológica, reverte déficits comportamentais e restaura as concentrações de noradrenalina.

  • B. infantis + L. reuteri: Diminui os níveis de TNF-α, IL-6 e MCP-1, conhecidos por desencadear um comportamento “doentio”.

  • Bifidobacterium longum: Reduz os escores de depressão.

  • L. helveticus R0052 + B. longum R0175: Avalia o estresse psicológico associado ao eixo HPA, sistema imunológico e o metabolismo do triptofano.

  • B. bifidum W23, B. lactis W52, L. acidophilus W37, L. brevis W63, L. casei W56, L.salivarius W24 e L. lactis (W19 e W58): Reduz a reatividade cognitiva para o humor triste e de pensamentos negativos:

  • L. casei W56, L.acidophilus W22, L. paracasei W20, B.lactis W51, L. salivarius W24, L. lactis W19, B. lactis W52, L. plantarum W62 e Bifidobacterium: Aumenta a atividade de cíngulo e afetando positivamente a tomada de decisões

  • Bifidobacterium longum subsp. infantis E41 e Bifidobacterium breve M2CF22M7: Efeito antidepressivo através da regulação microbiana.

  • E. faecium: Modula o sistema imunológico e influencia o hospedeiro por vias dopaminérgicas, que regula a anedonia (sintoma da depressão que envolve a dificuldade do indivíduo sentir prazer ou motivação).

  • L. rhamnosus (JB-1): Reduz os níveis de corticosterona e assim os episódios depressivos.

  • Lactobacillus casei (Shirota): Melhora o humor.


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