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Diagnóstico diferencial na síndrome do intestino irritável



Um diagnóstico diferencial diz respeito a sintomas que podem ser observados em mais de uma condição de doença. Logo, é preciso investigar bem todas as hipóteses possíveis, podendo chegar a um diagnóstico de exclusão: quando as possibilidades que envolvem alguma alteração orgânica forem descartadas, fica aquele último diagnóstico que vai explicar os sintomas, como é o caso do diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável (SII). O problema é que, caso a investigação não seja feita adequadamente, a SII pode ser atestada quando, na verdade, o problema existente é outro, tal qual alguma das Doenças Inflamatórias Intestinais, por exemplo.


Dor e desconforto abdominal, variação na função intestinal (constipação, diarréia ou uma alternância entre elas), sem nenhuma alteração morfológica ou bioquímica que explique tais sintomas, levam ao diagnóstico da SII. Uma vez que essa condição é atestada, é preciso observar qual o “tipo” que está presente, o que é feito de acordo com a variação intestinal que ocorre nas crises: apenas diarréias (SII-D); apenas constipação (SII-C); ou alternância desses dois extremos, caracterizado como misto.


A prevalência da SII é mais elevada entre o público feminino, e não é incomum que coexista com outras condições características desse sexo, como a dismenorréia (cólicas menstruais intensas). Nas mulheres prevalece o tipo SII-C, enquanto nos homens o tipo diarreico é mais comum. Alguns fatores de risco apontados para o diagnóstico da SII são: quadros de disbiose, com aumento da permeabilidade intestinal; qualquer condição que gere alteração nas vias de percepção da dor, assim como hipersensibilidade visceral; e maior ativação do sistema imune, que é muito comum no caso de doenças autoimunes, por exemplo.


Devido à íntima conexão entre intestino e cérebro, outra comorbidade comum da SII são os diagnósticos de saúde mental, como ansiedade e depressão. Além disso, alterações cotidianas no estado emocional, principalmente a sensação de nervosismo e ansiedade (para uma prova ou compromisso importante, por exemplo) costumam levar ao desencadeamento de uma crise. Um outro gatilho muito claro para o quadro é a comida, especialmente aqueles alimentos ricos em carboidratos altamente fermentáveis.


O protocolo Low FODMAP (sigla em inglês para oligo-, di-, monossacarídeos e polióis fermentáveis) surge então como uma alternativa para controlar as crises, ao eliminar os alimentos ricos em carboidratos de cadeia curta e que geram um excesso de fermentação no intestino, causando inchaço, dores e gases. Geralmente, o protocolo é feito por 1 - 2 meses, com reintrodução gradual dos alimentos para identificar quais geram desconforto e quais podem ser consumidos, com moderação. E não são apenas adoçantes e alimentos refinados que entram nessa lista: algumas frutas, vegetais, tubérculos, leite e derivados, que são considerados alimentos saudáveis, também precisam ser eliminados por um período, pois podem ser um gatilho para as crises.


Outro tipo de componente dos alimentos que também pode gerar piora dos sintomas são as fibras, devido ao estímulo que geram no peristaltismo (movimento) intestinal. Esse tipo de ação é mais prejudicial nos casos de SII-D, sendo o consumo adequado de fibras, aliado à uma boa alimentação e prática regular de exercícios físicos, um ponto fundamental no manejo do tipo SII-C.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Sood, R., Law, G. R., & Ford, A. C. (2014). Diagnosis of IBS: symptoms, symptom-based criteria, biomarkers or “psychomarkers”? Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 11(11), 683–691. doi:10.1038/nrgastro.2014.127


Chey, W. D., Kurlander, J., & Eswaran, S. (2015). Irritable Bowel Syndrome. JAMA, 313(9), 949. doi:10.1001/jama.2015.0954


Saha L. (2014). Irritable bowel syndrome: pathogenesis, diagnosis, treatment, and evidence-based medicine. World journal of gastroenterology, 20(22), 6759–6773. https://doi.org/10.3748/wjg.v20.i22.6759

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