A microbiota do bebê pode se desenvolver ainda no útero, e aqui você vai saber como isso acontece!

Existem dados que sustentam a possibilidade de que a microbiota do bebê se desenvolva ainda no útero.



A colonização intestinal ainda no período intra-uterino pode acontecer por uma comunicação via barreira placentária e por meio da ingestão de fluido amniótico pelo bebê, o que pode influenciar o desenvolvimento do sistema imunológico do feto. Até alguns anos atrás, essa não era uma hipótese plausível, pois acreditava-se que o ambiente uterino era estéril. Mas agora já se sabe que pode haver uma passagem de bactérias do intestino materno para o meio extra digestivo, e essas bactérias podem alcançar a placenta e as glândulas mamárias. Além disso, considera-se que essa transferência de microbiota nesse período possa contribuir na programação da imunidade fetal antes do nascimento. A microbiota materna durante a gravidez molda a microbiota vaginal e do leite materno, o que irá alterar a microbiota infantil pioneira durante uma janela crítica no desenvolvimento imunológico tanto no útero como também no bebê depois de nascer.

Bactérias intestinais maternas potencialmente atravessam a placenta para o intestino dos bebês.

Os microrganismos comensais maternos podem ser translocados do intestino materno para a placenta ou intestino fetal durante a gravidez (eixo da placenta do intestino materno) ou para as glândulas mamárias. Esses microrganismos afetam o desenvolvimento da imunidade fetal por meio de vários mecanismos, incluindo alterações epigenéticas, liberação de ácidos graxos de cadeia curta e alteração da expressão de citocinas inflamatórias. Em teoria, o intestino fetal pode ser exposto a microrganismos comensais e seus produtos no líquido amniótico deglutido, o que pode, portanto, ser um importante promotor do desenvolvimento imunológico inicial. Por exemplo, células T CD4 + e T CD8 + de memória podem ser identificadas no final do primeiro trimestre no intestino fetal humano. Células T CD4 de memória em intestinos fetais podem produzir IFN ‐ γ, IL ‐ 2 ou fator de necrose tumoral (TNF) ‐α, promovendo o desenvolvimento da imunidade intestinal. Além disso, a exposição fetal precoce a antígenos microbianos maternos pode modular sua imunidade. Bactérias ou metabólitos bacterianos podem ser transferidos para as glândulas mamárias (eixo intestino-leite materno), afetando a colonização intestinal do bebê e o desenvolvimento imunológico contínuo após o parto.

Embora não seja um efeito direto durante a gravidez, a microbiota materna durante a gravidez molda a microbiota vaginal e do leite materno, o que irá alterar a microbiota infantil pioneira durante uma janela crítica no desenvolvimento imunológico.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: