É possível tratar a depressão com probióticos?


O cérebro e o intestino estão intimamente conectados por meio do eixo intestino cérebro, que é um eixo bidirecional. O sistema nervoso entérico integra respostas fisiológicas (incluindo motilidade e secreção intestinal) e também modula a atividade imunológica, pois a maioria das células imunológicas possui receptores para neurotransmissores. Diante disso, a saúde intestinal está associada a doenças psicológicas como a depressão.


A depressão gera um estado pró-inflamatório associado à presença de biomarcadores da inflamação como a interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alta (TNF-α) e proteína C reativa (pCr). Este quadro é comumente associado ao estado de permeabilidade intestinal, que acarreta na ativação exacerbada do sistema imune na região e pode estar associado à alterações no sistema nervoso central.


Os probióticos são microrganismos vivos capazes de conferir benefícios ao hospedeiro, cientes da relação do intestino com o cérebro o uso desta estratégia pode ser coadjuvante no tratamento de doenças psicológicas como a depressão. Sendo assim, o uso dos probióticos quando associados ao uso de antidepressivos mostrou-se relevante na redução dos sintomas da depressão.


Serotonina

A serotonina, ou 5-hidroxitriptamina (5-HT), é um neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central (SNC), que também é sintetizada e liberada pelas células intestinais. Aproximadamente 90% da 5-HT é sintetizada no Trato Gastrointestinal (TGI), sendo envolvida na regulação das secreções intestinais, motilidade gastrointestinal (contração e relaxamento do músculo liso) e percepção da dor. Sua biossíntese ocorre a partir do aminoácido essencial triptofano, tanto no SNC quanto o Sistema Nervoso Entérico (ENS).


Sabe-se que a microbiota é capaz de produzir peptídeos antimicrobianos, ácidos graxos de cadeia curta e vitaminas. Além disso, ela está relacionada com a produção de neurotransmissores encontrados no cérebro humano. Dentre eles a serotonina que é responsável pelo bem estar.

Em pacientes com depressão os níveis de serotonina podem estar reduzidos. Também devido à capacidade de produção deste neurotransmissor pelo intestino a saúde intestinal é crucial.

Probióticos e depressão

Estudos recentes comprovam que a utilização de probióticos pode favorecer o controle dos sintomas da depressão. No entanto, é importante enfatizar que este tratamento deve ser coadjuvante ao protocolo medicamentoso.


Os probióticos podem exercer seus benefícios terapêuticos restaurando o equilíbrio da microbiota no intestino e também minimizando as queixas gastrointestinais dos pacientes.

Uma microbiota equilibrada permite menor quadro de inflamação no organismo, assim como a disbiose é capaz de agravar este quadro. Sendo assim, considerando que a depressão envolve a elevação de marcadores inflamatórios. O uso de probióticos, portanto, pode conferir efeitos anti-inflamatórios, o que pode contribuir para a depressão.


Na prática clínica, os probióticos podem ser um complemento útil para potencializar os efeitos das terapias, como a terapia cognitiva comportamental, que envolve a mudança dos padrões cognitivos. Por fim, o uso de probióticos promove o conceito de gestão da saúde física como parte do tratamento da saúde mental.


Referências bibliográficas

Collins, S., Surette, M. & Bercik, P. The interplay between the intestinal microbiota and the brain. Nat Rev Microbiol 10, 735–742 (2012). https://doi.org/10.1038/nrmicro2876

Nikolova VL, Cleare AJ, Young AH, Stone JM. Updated Review and Meta-Analysis of Probiotics for the Treatment of Clinical Depression: Adjunctive vs. Stand-Alone Treatment. J Clin Med. 2021;10(4):647. Published 2021 Feb 8. doi:10.3390/jcm10040647