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Probióticos no tratamento de vaginose e candidiase


Você conhece bem o uso de probióticos para tratamento de desordens intestinais, mas você já conhecia seu uso para vaginose e candidiase?

A microbiota vaginal possui um microbioma que a protege de patógenos, assim como o microbioma de outras partes do corpo. E assim como os outros microbiomas, cada pessoa tem seu microbioma vaginal único, que se formou com base em sua história, mas que em sua maioria, é colonizada por diferentes espécies de Lactobacilos (Lactobacillus crispatus, L. gasseri, L. iners e L. jensenii).

Alguns fatores podem alterar o pH da mucosa vaginal e levar a um desequilíbrio da microbiota vaginal. Eles são:

- origem étnica

- flutuações hormonais, típicas na gravidez

- lactação e menopausa ou induzidas por contraceptivos

- comportamento sexual (por exemplo, ter novos parceiros sexuais, troca frequente de parceiros sexuais)

- higiene incorreta (por exemplo, ducha vaginal)

- antibióticos

- diminuição da imunidade (infecção pelo HIV)

- algumas drogas (por exemplo, quimioterapia ou corticosteroides),

- estresse, e algumas doenças (por exemplo, diabetes).


Quando os números de Lactobacilos diminuem, outras bactérias ou leveduras normalmente presentes na vagina podem proliferar excessivamente, causando vários tipos de desequilíbrio, como a vaginose bacteriana (VB) e candidíase vulvovaginal (CVV).

A VB é uma disbiose comum da microbiota vaginal caracterizada por uma diversidade de bactérias predominantemente anaeróbicas, como Gardnerella vaginalis, espécies de Prevotella e espécies de Mobiluncus, e por números relativamente baixos de espécies de Lactobacillus. A VB é comum e até 50% dos casos são assintomáticos, já para quem tem sintomas, eles incluem coceira ao redor da vulva, um corrimento branco acinzentado e um odor "de peixe". A VB também pode aumentar o risco de infecções sexualmente transmissíveis e tem sido associada a partos prematuros.


Alguns probióticos contendo Lactobacillus têm mostrado benefícios na prevenção e tratamento da vaginose bacteriana com diferentes graus de eficácia. O probiótico de levedura administrado por via oral, Saccharomyces cerevisiae CNCM I-3856, migra do intestino para a vagina, onde pode exercer seus benefícios contra as bactérias envolvidas na VB.

É importante ressaltar que a eficácia dos probióticos varia de acordo com a administração e a dosagem. A administração oral de probióticos parece ser mais eficaz do que a aplicação vaginal no tratamento da VB, pois os probióticos orais (bactérias ou leveduras) são capazes de migrar do intestino para a vagina e eliminar os patógenos intestinais que podem ser responsáveis pela recorrência da infecção vaginal. Além disso, a via oral de administração de probióticos também é a forma mais fácil e conveniente de realizar o tratamento, o que pode melhorar a adesão e a eficácia do tratamento. Alguns probióticos também demonstraram reduzir as recorrências de VB 11 meses após o tratamento.


A CVV é a infecção vaginal mais prevalente no mundo, e afeta cerca de 75% de pessoas em idade reprodutiva, sendo o agente causador principal a Candida albicans. As recorrências são comuns, com 50% das mulheres com CVV apresentando dois ou mais episódios. Ao contrário da VB, a infecção por fungos é caracterizada por um corrimento branco com consistência semelhante à de queijo cottage, ausência de odor vaginal e vermelhidão e inflamação da vulva.

Novos estudos mostram os benefícios das espécies de Lactobacillus para a CVV em conjunto com os tratamentos antifúngicos (por exemplo, reuteri RC-14®, L. rhamnosus GR-1®, L. rhamnosus Lcr35®).

Uma revisão da Cochrane de 2017 concluiu que, no geral, evidências de baixa e muito baixa qualidade mostram que probióticos contendo espécies de Lactobacillus como terapia adjuvante não alteraram a taxa de cura clínica em comparação ao tratamento convencional. Porém, essa revisão não incluiu probióticos de levedura. A eficácia dos probióticos de levedura no tratamento da CVV é respaldada por dados recentes em modelos animais e pequenos estudos de intervenção, como o caso do cerevisiae CNCM I-3856 como potencial agente para o controle da CVV com base em suas propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias.

Com base nas evidências, o tratamento das desordens vaginais por meio de probióticos com administração oral se mostra promissor. Novos estudos são necessários para futuras confirmações, mas hoje podemos afirmar a importância do tratamento integrativo entre ginecologista e nutricionista, pensando no melhor para a/o paciente.

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