Fibra demais na alimentação pode fazer mal?



Os carboidratos podem ser categorizados em substratos digeríveis e não digeríveis. Os carboidratos digeríveis como glicose, frutose e galactose são degradados no intestino delgado por processos enzimáticos e liberados na corrente sanguínea na forma de glicose. Por outro lado, os carboidratos não-digeríveis, também conhecidos como fibras dietéticas, são resistentes à digestão no intestino delgado e atingem o intestino grosso intacto.


As fibras dietéticas incluem os polissacarídeos não amiláceos, lignina, amidos resistentes e oligossacarídeos. As fibras, ainda, podem ser categorizadas de acordo com sua fermentabilidade e sua solubilidade, podendo ser fermentáveis ou não, solúveis e insolúveis. As fibras fermentáveis sofrem fermentação sacarolítica sob ação das bactérias intestinais, e produzem os AGCC butirato, acetato e propionato. Estes são precursores para a síntese de colesterol e lipogênese, regula a expressão gênica, promove imunorregulação e mantém a função de barreira epitelial do trato gastrointestinal (TGI).


O papel da ingestão das fibras tornou-se mais estudado nos últimos anos. O consumo adequado de fibras pode reduzir o risco de desenvolvimento de algumas doenças crônicas como doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico (AVE), hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e algumas desordens gastrointestinais. Além disso, o aumento na ingestão de fibras melhora os níveis dos lipídeos séricos, glicemia, reduz os níveis de pressão arterial, peso corporal e otimiza o sistema imunológico.


Por isso, as características físico-químicas das fibras promovem efeitos locais e sistêmicos no organismo humano. As diferenças quanto à capacidade de retenção de água, viscosidade, fermentação, adsorção, entre outras, são responsáveis por implicações metabólicas. A fibra alimentar insolúvel aumenta o bolo fecal e acelera o trânsito do cólon via estimulação da mucosa intestinal, com aumento das secreções e peristaltismo. A fibra dietética solúvel é fermentada por bactérias no intestino grosso, o que gera produção de gases provenientes da fermentação bacteriana. As fibras dietéticas viscosas solúveis, por exemplo o psyllium, é minimamente fermentado e forma um gel que é preservado durante sua passagem pelo intestino grosso e atua na formação de fezes.


As fibras são utilizadas para tratamento de diferentes condições gastrointestinais e extraintestinais, incluindo prisão de ventre, diarreias, doenças inflamatórias intestinais (DIIs), obesidade, hipercolesterolemia e diabetes tipo 2.

A fibra dietética tem um papel importante no trato gastrointestinal. Qualquer carboidrato não digerido que atinge o cólon será fermentado parcial ou totalmente pelas bactérias intestinais para produzir ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs) e uma série de gases, incluindo dióxido de carbono, hidrogênio e metano. Os SCFAs (acetato, propionato e butirato), por sua vez, criam uma carga osmótica, são absorvidos e posteriormente metabolizados pelos colonócitos, hepatócitos ou os tecidos periféricos.


As fibras apresentam características funcionais que colaboram com a melhoria da microbiota intestinal do cólon e o equilíbrio da manutenção da saúde, o que pode interferir positivamente no tratamento das DIIs. Todavia, a fibra deve ser iniciada em uma dose nominal e conforme tolerado ao longo de semanas, com doses de 20 a 30g de fibra alimentar total e suplementar por dia. Mesmo quando usada com cautela, a fibra pode agravar os problemas com distensão abdominal, flatulência, constipação e diarreia. Neste caso, é importante que as fibras alimentares sejam introduzidas. Mesmo quando usada com cautela, a fibra pode agravar problemas com distensão abdominal, flatulência, constipação e diarreia. Além disso, o consumo de fibras deve ser alinhado à ingestão de água diária. O consumo de alimentos ricos em fibras sem a correta hidratação pode gerar constipação e aumento da produção de gases. A recomendação universal é que se tome cerca de 1,5L de água por dia, no entanto, para saber qual a recomendação individual de ingestão de água basta multiplicar 35ml pelo peso corporal.




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