Excesso de cardo mariano pode fazer mal?


O Silybum marianum, popularmente conhecido como cardo mariano ou cardo leiteiro, pertence à família Asteraceae. Ele é nativo do Oriente Médio, Europa, Mediterráneo e África e é usado por mais de 2000 anos pela medicina tradicional por expressar diversas propriedades e agir em diversas patologias, principalmente as relacionadas ao fígado e vesícula biliar, além de seus frutos serem usados por mães para estimularem a produção de leite.


Essa planta mede cerca de 3 metros de altura, possui cor verde,folhas largas espinhosas e com desenhos brancos semelhantes a veias e flores roxas espetadas. Quando as folhas e os caules são quebrados, escorre uma espécie de seiva branca e leitosa, o que explica seu nome popular em inglês: milk thistle.


O componente ativo do cardo mariano é a silimarina, responsável pelas propriedades terapêuticas. Esse potencial terapêutico vem se tornando cada vez mais relevante devido ao aumento das patologias de origem hepática.


Benefícios do cardo mariano


O cardo mariano possui propriedade anti-inflamatória, antioxidante, digestiva, diurética, antibacteriana, adstringente e pode auxiliar no tratamento de enjôo e enxaqueca. Os principais mecanismos de ação que estimulam o uso dessa planta envolvem:


-> Ação hepatoprotetora: essa planta pode ser utilizada conjuntamente no tratamento de doenças hepáticas como hepatite, cirrose, fibrose hepática, icterícia, necrose e degeneração. Isso ocorre pois a silimarina auxilia na regeneração das células hepáticas, impossibilita o acúmulo de colágeno associado ao dano hepático, diminui a capacidade pró-inflamatória ao agir sobre os receptores de TNF-alfa, auxilia na eliminação das espécies reativas de O2 e mantém a membrana celular hepática íntegra, diminuindo os danos.



-> Ação imunomoduladora: a silimarina possui propriedade anti-inflamatória, o que modula portanto nosso sistema imunológico, controlando a migração de neutrófilos para o local da inflamação e a composição da microbiota intestinal.


-> Ação antioxidante: como citado acima, a silimarina neutraliza os radicais livres, protegendo contra o estresse oxidativo. Essa propriedade antioxidante é importante para proteger não só o fígado contra danos, mas outros órgãos como o coração, rim, cérebro e pâncreas.


No coração, a silimarina diminui o risco do desenvolvimento de patologias como infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca, além prevenir a aterosclerose por controlar os níveis de colesterol. No rim, o marido protege as células contra os danos, intoxicações e previne o que conhecemos como falência renal.


A ação antioxidante da silimarina no cérebro diminui a chance de desenvolver doenças neurodegenerativas, como Alzheimer., além de melhorar a memória e função cognitiva por manter a integridade do tecido. Sua ação na proteção da função pancreática diminui o risco do desenvolvimento de resistência à insulina, melhorando o metabolismo da glicose.


Quantidade usual recomendada:


O chá geralmente é feito com os frutos esmagados, e utiliza-se 1 colher de chá para 1 xícara de água quente (80 oC). Deve-se deixar descansar por 15 minutos e coar. Recomenda-se a ingestão de 2 a 3 xícaras por dia ou usar a slimirarina isolada em cápsulas, a dose vai variar de 100mg a 300mg dependendo de cada indivíduo.



O excesso pode fazer mal?


A resposta é simples, afinal você já deve ter escutado falar que tudo em excesso faz mal! Acontece que, mesmo não possuindo efeitos colaterais, uma dosagem excessiva de cardo mariano pode gerar alguns problemas gastrointestinais. Os principais sintomas envolvem irritação da mucosa, diarreia, vômitos e náuseas, flatulência e distensão abdominal. O aumento da produção de bile é o principal mecanismo que explica o efeito laxativo decorrente do excesso de cardo mariano, o que interfere na digestão e absorção dos alimentos, podendo causar deficiências nutricionais a longo prazo e doenças gastrointestinais.


Referências:


Bijak, Michal. “Silybin, a Major Bioactive Component of Milk Thistle (Silybum marianum L. Gaernt.)—Chemistry, Bioavailability, and Metabolism”. Molecules : A Journal of Synthetic Chemistry and Natural Product Chemistry, vol. 22, no 11, novembro de 2017, p. 1942. PubMed Central, https://doi.org/10.3390/molecules22111942.


Plataforma Espaço. “O EFEITO TERAPÊUTICO DO CARDO MARIANO PARA O TRATAMENTO DE PATOLOGIAS HEPÁTICAS.” Plataforma Espaço Digital, https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/53817.


Milić, Natasa, et al. “New Therapeutic Potentials of Milk Thistle (Silybum Marianum)”. Natural Product Communications, vol. 8, no 12, dezembro de 2013, p. 1801–10.