A associação entre o biofilme e a cândida




Os fungos são microrganismos que possuem a capacidade de se esconder de alguns mecanismos de defesa do sistema imunológico humano. Um desses mecanismos é chamado de biofilme, que é produzido a partir da interação entre fungos e bactérias, formando uma “comunidade microbiana”.


Os biofilmes são estruturas complexas de fibras semelhantes a uma “casa”, composta por uma matriz de mucopolissacarídeos produzida pelos microrganismos presentes nela, proteínas e DNA. Dentro desses biofilmes só ocorre a entrada de nutrientes e a saída de resíduos, com isso fazendo com que eles fiquem protegidos da ação dos antibióticos, antifúngicos e alguns componentes do sistema imune. Em decorrência disso, esses microrganismos ficam ainda mais resistentes à ação dos antibióticos.


Dentre as diversas funções dos biofilmes eles também são utilizados pelos microrganismos para comunicação, através da liberação de substâncias dentro dessa estrutura, e esse processo é chamado de “quorum sensing”. A cândida está muito associada com a produção dos biofilmes, e isso faz com que o tratamento para combater sua proliferação seja muito difícil.


Além disso, durante do tratamento da candidíase vários cuidados devem ser tomados quanto a quebra da estrutura do biofilme, pois dentro desses complexos existem uma grande produção de toxinas e quando são quebrados, elas são liberadas no ambiente intestinal e podem ser absorvidas e liberadas na circulação sanguínea, resultando em diversos malefícios para o indivíduo como um todo.


Existem diversas associações entre bactérias e fungos que formam os biofilmes, como exemplo dessas combinações uma das mais conhecidas é a E. coli e Serratia marccescens junto a candida tropicalis, que ocorre principalmente em indivíduos com doença de Crohn.


No que diz respeito ao tratamento para combater o desenvolvimento da cândida e a estrutura do biofilme, é importante que ocorra um bom controle da ingestão de carboidratos refinados e açúcares, maior consumo de fibras, ingestão de enzimas digestivas e compostos bioativos, especialmente os polifenóis, pois eles auxiliam na quebra do biofilme. Ainda, a intervenção com probióticos é muito eficiente nesse processo, visto que, eles desempenham ótima função quanto a degradação do biofilme e também na redução dos fungos da cândida.