Você é o que a sua microbiota come? Entenda essa relação!


As diferentes bactérias presentes na microbiota de um indivíduo estão diretamente associadas com a alimentação. A dieta é capaz de modular a microbiota que por sua vez possui apresenta papel fundamental na saúde do organismo humano.


Estudos mostram que a mudança no padrão alimentar é capaz de alterar a curto prazo de maneira benéfica a composição dos microrganismos presentes no intestino. As evidências científicas da relação que existe entre a saúde intestinal e a saúde física como um todo já estão bastante consolidadas. Diante disso, a forma como a alimentação interage com a microbiota intestinal é evidentemente associada com a saúde do hospedeiro.


Uma vez que a microbiota é modulada a partir dos alimentos ingeridos, diversos mecanismos, benéficos ou não, são ativados por meio desta interação. Portanto, tudo aquilo que pode influenciar no equilíbrio dos microrganismos do hospedeiro pode impactar a saúde do mesmo. Então vamos conhecer quais são esses fatores da alimentação que apresentam maior impacto na modulação da microbiota intestinal:


Padrão alimentar ocidentalizado

A dieta ocidental é composta predominantemente por alimentos industrializados, refinados, açucarados, processados e ultraprocessados. Este padrão alimentar determina um maior risco para as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Consoante a isto, a microbiota sofre alterações significativas que podem acarretar na perda das funções microbianas e consequente redução dos efeitos benéficos para o organismo. Portanto, a diminuição dos efeitos que uma microbiota saudável promovem agravamento das complicações e incidência de doenças metabólicas.


A alimentação hipercalórica, rica em gorduras saturadas e trans, promove um desequilíbrio entre os microrganismos firmicutes e bacterioidetes, caracterizando a disbiose. Este desequilíbrio desencadeia uma menor produção de muco (barreira protetora) e diminui a expressão das “Tight Junctions”, aumentando assim a permeabilidade intestinal. Diante disso, há uma maior ativação de processos inflamatórios no organismo.


Excesso do consumo de proteínas animais

O consumo excessivo de proteínas animais pode ser associado ao desequilíbrio da microbiota intestinal, uma vez que o crescimento de bactérias proteolíticas é favorecido. Diante disso, ocorre o aumento de microrganismos anaeróbicos e diminuição de bactérias produtoras de butirato, o que diminui o substrato energético para os próprios enterócitos, o que pode comprometer a saúde intestinal local.


A ingestão excessiva de proteínas animais favorece o estado inflamatório do intestino, aumentando assim a incidência de doenças inflamatórias intestinais, além das doenças crônicas associadas a esse estado mais inflamado do organismo. Pode ocorrer também o aumento de trimetilamina-N-óxido (TMAO), um composto pró-aterogênico que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.


Fibras e alimentos fermentados

O consumo de alimentos ricos em fibras e fermentados, possui relação direta com a saúde do hospedeiro, pois promove uma maior diversidade de microrganismos benéficos. Diante do exposto, é possível observar uma menor incidência de marcadores inflamatórios e modulação do sistema imunológico.


A fermentação das fibras pelos microrganismos benéficos do intestino é capaz de produzir ácidos graxos de cadeia curta. Estes metabólitos fornecem ação anti-inflamatória e saúde da barreira intestinal.


Em alguns casos, em que o desequilíbrio intestinal já está instalado, o consumo de fibras pode ser prejudicial à saúde intestinal, portanto, cada quadro deve ser avaliado individualmente.


Referências bibliográficas

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