Eixo intestino-músculo

indivíduos, especialmente após a idade adulta. Para melhorar a nossa capacidade de manutenção ou de ganho de massa muscular é preciso manter uma ingestão adequada de proteínas, carboidratos e gorduras, praticar atividade física, ter um padrão de sono adequado e cuidar do intestino!


Isso mesmo... precisamos cuidar do intestino! Inclusive, estudos indicam que a microbiota intestinal desregulada aumenta o risco de sarcopenia – um distúrbio caracterizado pela perda de massa e de força muscular em idosos -, o que invariavelmente afeta a qualidade de vida.

A principal hipótese para essa relação é a conexão entre o músculo e o intestino, conhecida como eixo intestino-músculo. Essa relação acontece das seguintes maneiras:


- A microbiota intestinal interfere na digestão e na absorção de proteínas – nutriente essencial para a manutenção da massa muscular;

- A microbiota sintetiza triptofano, responsável por estimular o aumento das fibras de proteínas contráteis. Além disso, o triptofano exerce um papel anti-inflamatório e é utilizado para a síntese de serotonina – neurotransmissor conhecido como hormônio da felicidade;

- A microbiota intestinal produz cobalamina (vitamina B12), ácido fólico (vitamina B9) e riboflavina (vitamina B2), que fornecem matéria prima (aminoácidos) para promover o anabolismo das células do músculo esquelético. Além disso, esses nutrientes são anti-inflamatórios e, por isso, podem neutralizar o estresse oxidativo gerado durante o exercício;

- A microbiota metaboliza polifenóis que, na sequência, são absorvidos pelo intestino e exercem efeitos anti-inflamatórios. Estudos indicam que o resveratrol, polifenol mais popular, possivelmente melhora o desempenho nos exercícios e retarda a fadiga;

- A microbiota saudável favorece a manutenção da massa muscular, especialmente em praticantes de atividades físicas. Enquanto isso, um desequilíbrio desses microrganismos – disbiose – aumenta a permeabilidade intestinal e permite que toxinas migrem para o sistema sanguíneo, gerando uma inflamação sistêmica que favorece a perda de massa muscular.


Em idosos, a modulação da microbiota pode aumentar a força muscular, reduzir a inflamação e melhorar a sensibilidade à insulina. Esses parâmetros estão associados à manutenção e ao aumento da massa muscular e, em consequência, à redução do risco de sarcopenia.


Pesquisas mais recentes indicam que alguns benefícios do hábito de praticar atividade física estão relacionados com as alterações que o exercício promove na microbiota intestinal. Entretanto, quando o exercício é extenuante ou é praticado em condições inadequadas (desidratação, por exemplo), pode haver aumento da permeabilidade intestinal, estresse oxidativo, aumento dos níveis de lipopolissacarídeos circulantes (toxinas) e inflamação, que favorecem o catabolismo e afetam diretamente o músculo esquelético.


Considerando a relação entre o tecido muscular e o intestino, podemos afirmar que a alimentação adequada e a prática regular de atividade física – capaz de manter e aumentar a massa muscular – trazem mais benefícios à saúde quando ocorrerem simultaneamente.



Se quiser ler mais sobre esse assunto, indico esses artigos:

Clark A, Mach N. Exercise-induced stress behavior, gut-microbiota-brain axis and diet: a systematic review for athletes. J Int Soc Sports Nutr. 2016 Nov 24;13:43. doi: 10.1186/s12970-016-0155-6. PMID: 27924137; PMCID: PMC5121944.

Ticinesi A, Lauretani F, Tana C, Nouvenne A, Ridolo E, Meschi T. Exercise and immune system as modulators of intestinal microbiome: implications for the gut-muscle axis hypothesis. Exerc Immunol Rev. 2019;25:84-95. PMID: 30753131.